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quinta-feira, 19 de maio de 2011


 
Um jovem garoto sonha em tornar-se um engenheiro de sucesso, afim de orgulhar sua família e ganhar algum status social. Durante a infância, passa seus dias lendo livros infantis e treinando a tabuada. Quando chega ao ensino fundamental, deixa de ir jogar bola com os amigos para fazer suas pesquisas escolares. Chegando ao ensino médio, estuda dezoito horas por dia, na tentativa de passar em alguma universidade relevante. Enquanto seus raros amigos namoram e divertem-se, ele passa seu sábado à noite de cara nos livros. Após finalmente conseguir matricular-se na USP, ele percebe que nem tudo é tão fácil. Passa os cinco anos seguintes estudando em tempo integral, e estudando ainda mais nas horas vagas. Completa seus vinte e três anos e forma-se na faculdade. Consegue um estágio em uma empresa no centro da cidade, ganhando um salário razoavelmente bom. Mas ele quer mais. Consegue uma vaga num curso de pós-graduação, e novamente vê o seu dia cheio de tarefas. Sem tempo para descansar, sem tempo para se divertir. Beirando os vinte e sete anos e já pós-graduado, ele trabalha como nunca. Faz horas-extra, trabalha ao sábados e ainda faz serviços free-lancer. Sua conta bancária fica mais gorda à cada dia, e ele acredita estar realmente feliz. Numa ensolarada manhã de quarta-feira, pouco antes de chegar ao trabalho, um carro faz uma ultrapassagem perigosa, causando um daqueles acidentes que acreditamos só acontecer no cinema. Traumatismo craniano, braços e pernas quebradas, e à um passo da morte. Sendo levado pela maca por um longo corredor de hospital, ele vê as lâmpadas no teto acima passarem à sua frente na mesma velocidade em que sua vida caminhou até aquele momento, e pela primeira vez em toda a sua existência, ele percebe o quanto errou. Todas as oportunidades perdidas, todos os momentos que deixaram de acontecer e todas as infinitas possibilidades que esse mundo lhe reservava. Seus pais, que mal podiam conviver com ele, um amor que talvez estivesse lá fora lhe esperando e a verdadeira felicidade que nunca existiu. Chegando à fria sala de cirurgia, seus batimentos cardíacos já eram raros, sua respiração quase nula e seus olhos quase fechados. Tudo havia acabado. Não havia mais volta. E enquanto morria, se perguntou se tudo aquilo teria valido a pena. E aí percebeu que desde a sua infância, acabou encarando a vida de forma errada. Estamos aqui para viver. E é isso que todos nós deveríamos fazer: trabalhar tranquilamente, e viver intensamente. E não o contrário.

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