“
Opa, pêra aí, vida.
É que eu preciso de um tempo. Cheguei num ponto em que cansei de quem eu sou. Quero deixar a tristeza de lado e ser cara de pau, pois é melhor se dar mal por expor a verdade do que esconder com medo da opinião alheia. E tem mais: preciso expandir minha simpatia. Não sou um poço de grosserias, porém, melhorar nunca é demais. Preciso de paciência, a minha é bem curta e sei que não posso mais ser impaciente. Daqui a algum tempo, terei de aturar um chefe irritado, trabalhar duro e ganhar pouco. Se eu não atravessar essas dificuldades com garra, nunca poderei trabalhar por contra própria e receber um salário digno. Se eu não deixar de ser anti-social, nunca conseguirei saber o que é ser uma pessoa entrosada, extrovertida e presença constante em grupos de amizade.
Mas a culpa não é minha. De que adianta mudar se os outros continuam agindo do mesmo jeito? É como uma tarefa sem recompensa. Uma ação sem reação. Todos querem uma grande melhora da minha parte e não pensam em melhorar. Muitos priorizam aparência e venderiam suas almas para o diabo só para permanecerem jovens e perfeitos para sempre. Eu, com minha ânsia por mudanças, admito que se está bom… Pode ficar maravilhoso. Os outros, com mania de mesmice e futilidades adolescentes não possuem essa mesma linha de pensamento. Apenas cobram do próximo. Esse próximo sou eu. Nunca boa o suficiente para o resto, entretanto,
perfeita para Deus.”
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