- Eu te amo. Foi o que ele disse. E eu infelizmente não sabia o que
responder. Deixei que o meu silênico falasse por mim, na tentativa de
que ele entendesse os meus sinais. Mas ele, não sei o porquê,
devolveu-me o silênico como resposta. Sem jeito e sem saber o que fazer,
fixei meus olhos na luz azul do abajur em cima da escrivaninha que
estava acesa, sem se importar com o sol raiando lá fora e comecei a
esquadrinhá-lo. Aquele silêncio que pairava sobre o ambiante, parecia
que estava ali por horas, mesmo não durado muito tempo. Tive medo que
ele escutasse os meus pensamentos e então quase sem voz soltei um
“obrigado”. Que tipo de pessoa em sã consciência, responde um obrigado
pra um eu te amo? Eu. Eu sou esse tipo raro de pessoa. Eu não sei o que
acontece comigo. Eu sempre sou o que ama mais, o que sempre se apega e
se entrega por inteiro. Certa vez, num segundo encontro eu soltei um
“não posso viver mais um dia sem te ver”. Foi o suficiente para não
termos um terceiro encontro. Mas dessa vez, simplesmente não sei o que
esta acontecendo comigo. E eu até o entendo. Já estamos juntos há algum
tempo, é normal pensar que o sentimento é mútuo. E é. Só que não na
mesma intensidade. E acho que ele me entende quando respondo com um
“obrigado”, lê se, não quero me machucar novamente. O meu passado sempre
me persegue, assim como, os fantasmas dos meus ex-namorados. Mas eu
estava enganado. Ele não me compreendeu, quer dizer, eu nunca sou
compreendido. E no final de tudo eu terminei sozinho. Como era de se
esperar.
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