O nosso amor passou da validade. E só agora entendo o porquê desse gosto
de azedo. Eu deveria ter te observado melhor no dia em que te conheci.
Em algum lugar, no código de barras da sua blusa, sei lá, em algum canto
qualquer devia estar escrito “Valido até a primeira semana do mês de Março de 2012”.
Bingo. Foi até onde fomos. Até semana passada, não é mesmo? Foi até
aonde você foi, porque o idiota aqui continuou. Pensando melhor, o nosso
amor já tinha acabado há muito tempo. Nenhum sentimento acaba de uma
hora pra outra. Não mesmo. A dúvida já tinha entrado. A insegurança já
tinha corroído. De dentro pra fora, uma transformação estava
acontecendo. E eu fui tapado o suficiente pra não perceber. E você foi
profissional o bastante pra não demonstrar, pra não deixar transparecer.
Na verdade, eu sabia que tinha alguma coisa errada. Mas os teus “não é nada”, acompanhados de abraços e beijos sempre me faziam esquecer. Até semana passada, como já disse. Quando você trocou o “mô”
pelo meu nome e disse que precisávamos conversar. Foi quando a
insegurança veio a tona. Foi quando eu tive certeza absoluta de que algo
estava errado. E no fim da conversa, quando você disse que ainda
podíamos ser amigos. Quando o abraço que me deu, não tinha mais calor de
antes. Quando os teus lábios que antes vinham de encontro aos meus,
vieram de encontro a minha testa. Foi quando, com lágrimas nos olhos, a
minha certeza foi confirmada.
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