Quando criança, não que eu seja adulto, eu sempre tive medo de
fantasmas. Minha mãe e as pessoas mais velhas sempre usavam desse
artifício, que comigo, sempre funcionava. Começou com o Bicho Papão e o
Homem do Saco. Sempre tive medo do escuro e de qualquer barulho a noite.
Filme de terror nem se fala. No colégio, era a temida Mulher do
banheiro, era alguma coisa parecida com dar descarga duas vezes e bater a
porta pra faze-lá aparecer, eu nunca fui corajoso o suficiente a ponto
de pagar pra ver. Então depois de assoprar algumas velas de aniversário,
eu amadurei e me dei conta de que nada disso realmente existia, assim
como, o Papai Noel e o Coelho da Páscoa. Já que a história da cegonha
nunca me enganou. Comecei a me envolver com as pessoas, comecei a levar
uma “vida de gente grande”. Paquera daqui, beijos e amassos dali. A
pegação se tornou namoro e as namoradas se tonaram ex. E por mais que eu
quisesse não me importar, o sentimento sempre fode com tudo e comigo
não foi diferente. A cada término de um relacionamento, que não foram
muitos, era um pouco de mim que ficava, um pouco que eu deixava pra
trás. E ao iniciar um novo, os fantasmas do passado sempre me
atormentavam. As lembranças e tudo mais. É impossível não comparar uma
pessoa com a outra, mesmo que a gente não diga isso com a boca. Assim
como, a gente não ama ninguém da mesma forma. Me apaixonei sim, por
quase todas pessoas que entraram na minha vida e ainda confesso que sou
um eterno apaixonado por algumas que não permaneceram. Fantasmas, certa
estava mamãe.
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