“Saiu correndo, quando viu o táxi passando. “Ei
táxi, pare aqui, por gentileza”. Por favor moço, leve-me com maior
urgência para a avenida da doçura, na rua do calor, casa da verdade.
Preciso urgentemente eliminar isso de mim. Preciso eliminar essa
amargura que reina em mim, e em minha vida. Preciso eliminar a frieza
que as pessoas me propuseram, eliminar essa coisa de “clichê” de mim. Já
estou cansada das pessoa com esse papo de meiguice, tô cansada desse
“amor”, tô cansada do amor dado por quem não sabe amar. Tô cansada das
palavras falsas, escritas, por quem não consegue ser poeta. Tô cansada
das pessoas hipócritas que reinam nessa minha vida. Pessoas do tipo que
dizem “Oi anjo, como você está?” e no outro dia não me traz mas nenhuma
palavra doce, e nem se quer olha pra minha cara e dá um “Oi”. Tô cansada
da da falsidade das pessoas, de palavras falsas, do tipo “Queridinha”,
“Meu amor”, e também estou cansada de frases clichês que enchem meu dia e
fazem eles virarem um saco só, tai como “Eu te amo”, “Nunca vou te
esquecer”. Ah vá… Nunca vai me esquecer? Quem você não vai esquecer
amanhã mesmo? E quem você vai amar amanhã? Ah, meu bem, não me faça
perder tempo com essas suas palavrinhas chatas e medíocres. A este ponto
devem estar pensando que eu sou idiota idiota, não é? Mas ta aí uma
coisa que a vida me ensinou, a parar de ser “isso”. Me ensinou propondo
frieza. “Pare já senhor, decidi-me. Não deixe-me mais na rua do calor.
Vou ficar com a minha amiga frieza aqui, ela que está me ajudando a me
reerguer aos poucos. Deixe-me apenas na rua da doçura, porque minha
amiga amargura não está me ajudando em nada nesse momento de minha vida.
O resto do trecho eu resolvo”. É isso mesmo, o resto do trecho eu
resolvo, porque eu não resolver ninguém fará isso por mim. Minha vida é
como um livro, só será realmente aberto, se alguém quiser abrir. E creio
que ninguém esteja interessado em ocupar esse cargo em minha vida. “É
aqui moço, pare, por favor. Quanto lhe devo?”. Parei ali naquela rua da
doçura, olhei ao redor e percebi. Meu lugar não é aqui, não nesse
momento. Estou entendendo tudo já… Ser doce demais não é para mim. Então
decidi “Ei moço do táxi, volte aqui por favor, leve-me pra casa. Ser
doce com as pessoas não me adiantará de nada”. Ou era isso, ou era
sofrer mais ainda.”
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