Você tem que parar com essa mania de me mandar embora e me puxar de
volta sempre que tem vontade. Tem que parar com a mania de sorrir como
se nada houvesse acontecido, como se pudesse voltar no tempo e concertar
tudo, porque não pode. Tem que parar com a mania de querer me fazer sua
quando você já não é mais meu. Com a mania de me fazer ficar presa à ti
quando na verdade eu tinha que me libertar e seguir com a minha vida. E
tem que parar com esse jeito de saber como lidar comigo, do que falar e
quando falar. Tem que parar de me conhecer tão bem ao ponto de saber
que por mais que eu tente, eu não consigo resistir à você e nem à sua
voz. E que se você quiser, eu acabo voltando pra você. E tem que parar
de me fazer gritar pros quatro cantos do mundo que não te amo - rezando
para que isso chegue aos seus ouvidos - enquanto sussurro baixinho pra
mim mesma o contrário e te chamando de volta. Tem que parar de me fazer
imaginar nós dois juntos quando na verdade, somos “eu e você”, assim
mesmo, com tudo o que nos separa no meio, sem qualquer possibilidade de
junção, mesmo que num futuro distante. Você nem ao menos pense em me dar
falsas esperanças novamente. […] E eu tenho que parar com essa mania de
achar que você vai se arrepender e vai perceber o erro que cometeu ao
ir embora, porque nós dois sabemos que isso não vai acontecer. Até
porque, você está muito melhor com ela do que jamais estaria comigo. E
eu estou muito melhor sem você para me atormentar com seu jeito nervoso
de ser. Também tenho que parar com essa mania de pensar o tempo todo no
seu sorriso, ou no seu cabelo desgrenhado, ou na cor dos seus olhos.
Tenho que parar de escutar aquelas músicas que trazem seu rosto à tona
em minha memória e tenho que parar, definitivamente, de lembrar das
coisas que me dizia antes de dormir. Tenho que parar com a mania de
chegar em casa e sentir aquela antiga vontade louca de lhe contar todo o
meu dia e dizer-lhe que te amo a cada cinco minutos. Tenho que parar de
achar que você é meu e ignorar o fato de que eu ainda sou sua, você
querendo ou não. E nós dois temos que parar com a mania de fingir que
tudo está bem entre nós, e que podemos continuar convivendo normalmente
como se sua presença não me afetasse nenhum pouco. Ou como se a minha
presença não te incomodasse. Porque ambos sabemos que a realidade é
outra: sua presença me tira constantemente o fôlego e a minha lhe deixa
furioso. E mesmo tendo conhecimento de tudo isso, no final da noite eu
volto a ser sua, pedindo para que você também volte a ser meu. E é aí
que está o meu erro.
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