Nós precisamos de um pouco de paz. Pra preencher esses nossos dias vazios, essa nossa saudade sem fim. Um pouco de paz pra sustentar as nossas partidas, sustentar a as lacunas abertas que ficam juntas a cada passo. Se houver paz, um dia desses, eu vou compreender que é de partidas que se constrói um caminho. Aprender que a falta é o nosso destino, que estar a sós é a rotina do nosso fim. E eu não queria falar de saudades, eu nunca quis. Mas eu não suporto a ideia de ver o amor borrado em minha mente. Recuar, é a única forma de não deixá-lo esmaecer, de agarrar os últimos sorrisos que ameaçam se esfumaçar na lembrança. E isso, é porque me falta paz. Pra clarear a ideia de que perder é inevitável, de que depois de cada perda deve haver um novo passo, iniciar-se uma nova busca. Meu bem, as palavras são o destino poético da nossa dor e em breve se tornarão o nosso eco. Quando nossos sorrisos se desviarem, as palavras estarão conosco eternizando a nossa falta. E eu espero que você saiba, agora, quando é hora de partir, que se formos em paz e em silêncio, tudo será mais fácil daqui pra frente. O pouco de amor que ainda resta, vai manter lembranças no lugar da saudade, no lugar da dor.
Das nossas incontáveis partidas, dos pontos que nenhum de nós nunca entregou, o que nós sobra é a tentativa de recomeçar no outro. De partir sendo menos nossos, estando cada vez mais presos ao amor que já nem existe. E se houver paz, é a falta de nós mesmos que nos manterá na luta. Na perda de uma parte de nós a esperança do reencontro.
Nós precisamos de um pouco de paz. Porque a saudade não compensa e nós já estamos partindo.
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