
Era estranho porque eu guardava tanta dor, tantos fantasmas, tantos
medos, tantos demônios e bastou você entrar pela porta que tudo sumiu.
Eu passei horas te contando da falta que me fazia sentir aquele cheiro
que era uma mistura do que eu mais amava e do que ainda restava do que
um dia eu amei, do quanto eu precisava do braço forte dele me mantendo
em pé. E você sorriu, pensando "coitada". Eu te contei que ele era
diferente, que ele era único. E quando mais eu contava as coisas
impossíveis que ele podia fazer, mais você via o quanto eu estava
iludida. Eu fui ficando cega pra todos os erros, porque no fim, eu
precisava de um novo texto.
Você me abraçou, sem perfume e beijos doces, pronto pra me fazer
entender que grande parte dos meus demônios eram ele. E só por isso iam
embora quando eu me deixasse ir também. Afinal, eu não merecia viver
mal-assombrada.
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