Frio e sonhos que não se tornam realidade. Foi assim, numa manhã que deveria ser
como as outras que você me deixou. Ainda lembro do sol e do cheiro de
jasmim da rua da sua casa. Você disse que embora fossemos a pessoa certa
um pro outro, acabávamos sempre errando. Talvez a nossa igualdade, ou a
falta dela. As palavras engataram na garganta e eu tomei o cigarro da
sua boca. Pelo menos, uma última vez, eu queria ter algo que fosse seu.
Olhei no fundo dos seus olhos procurando qualquer vestígio de que isso
você apenas um daqueles seus truques. Mas não. Seu olhar estava opaco, e
logo, o céu também. Pela primeira vez eu tive que aceitar a perda.
Segurei suas mãos com medo de cair junto com o chão, despencar na dor
que você já não queria mais. Logo sua mão foi sumindo, assim como seu
cigarro e seu moletom azul escuro. Eu havia acordado de um sonho, e o
peso entre os seios me fez entender. Não precisava do cigarro. Meu
coração estava ali, pulsante, sendo seu.
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