“Cala a boca! Não fala nada, só respira. Não me
interrompe agora. Não me faça perder a coragem que levei muito tempo pra
ter. Depois que eu terminar, se você então quiser dizer algo, tudo bem.
Pode me chamar de carente, gay, fraco, idiota e qualquer coisa do tipo.
Pra fazer o que estou prestes a fazer, é preciso ter um pouco de tudo
isso dentro de mim. Só não me julgue. Eu só preciso te dizer que não tem
um dia que eu não pense em você. Não tem uma noite que eu não crie um
reencontro para nós. Preciso que saiba que não, eu não superei. Eu ainda
me importo. E te ver com outra pessoa me machuca, muito. É como se o
meu coração fosse perfurado por tiros de uma espingarda. É muito
confuso, eu sei. Sei também que dei a entender que eu estava bem, que
você não me afetava mais. Sei que peguei três na sua frente, sei que te
fiz sofrer. Mas eu só queria mostrar que você estava me perdendo. Não
sei se você vai me querer de volta e nem sei se mereço o seu perdão. Eu
não sei de porra nenhuma! Mas eu sei, tenho certeza absoluta, que eu te
amo. Sempre te amei. Não sei amanhã ou depois, não sei do seus
sentimentos, não sei o que vai acontecer. Mas eu sei que agora, hoje,
nesse exato momento, enquanto eu faço papel de idiota ao te dizer tudo
isso em voz alta, no meio do supermercado, enquanto um bando de gente
estranha nos observa. Nesse exato minuto, ou no minuto que passou
enquanto termino essa frase. A minha vontade é te envolver com os meus
braços, te dar um beijo de tirar o fôlego e receber um soquinho de leve,
seguido de um sorriso e de um “por que você demorou tanto?”. Por favor,
faça da minha vontade uma realidade. Faça de mim, seu, novamente. Só
faça.”
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