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segunda-feira, 11 de junho de 2012

“Eu não consigo mais fazer dos meus dias os melhores, foram poucas as vezes que conseguir alinhá-los corretamente comigo. Nem tão reto e nem tão torto. Li há algumas semanas atrás, em um jornal que pessoas com a vida fora de ordem poderiam ter problemas sociais ou infartos. No mesmo momento eu imaginei todas as pessoas do mundo juntas. Imaginei todas elas trancadas em um mesmo quarto branco-amarelado, com um turbilhão de coisas esparramadas, aquela bagunça do caralho. Estavam trancadas por terem o quarto bagunçado e serem anti-sociais. Uma coisa puxa a outra, nesse caso. Pensando bem, em todos os casos. Mas por algum problema, elas estavam juntas naquele suposto quarto – mesmo sendo anti-sociais, estavam juntas. O jornal estava de certa forma errado. Elas não eram anti-sociais, digamos que uma parte não e outra sim. E eu mesmo me vi naquele quarto com aquelas pessoas, estavam sentadas cabisbaixas e ao mesmo tempo amedrontadas. E o medo não era de estarem com outras pessoas. Devia ser pelos infartos. Elas mesmas sabiam do sério risco que estavam correndo por serem solitárias. A culpa não era de si própria. A culpa era de alguma forma de todas as pessoas e acho que a mídia, por meio de jornais também espalhados pela cidade, estava querendo dar um ponto final nessa merda toda. Por todos serem anti-sociais. E não me leve a mal, mas eu sou anti-social. As vezes fico feliz comigo mesmo por não ter alguém para compartilhar a minha felicidade ou ficar feliz com ela. Sabe, cara, estar trancado naquele quarto com outras pessoas era bom. Nem tanto, mas era. Pouco a pouco nós íamos trocando palavras, gestos e pensamentos. Um bando de loucos. Loucos mesmo. Era uma puta loucura aquele planejamento, mas estava acabando com a minha solidão de certa forma. Porra, a solidão de todos. Eu até mesmo aprendi a arrumar o meu quarto, o lugar que eu tanto fico preso, por dias, semanas e meses. E hoje, tampouco fico lá! Por culpa do jornal. Aliás, da minha imaginação. E graças a ela hoje não corro risco de nenhum infarto por solidão. Seria um porre morrer por solidão.”

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