Mas ainda sofro ao cruzar meus olhos com os teus.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Existe sempre alguma coisa ausente. Acho que a gente tem que vencer. Ou
lutar. E ficar bem. Feliz. Criar. Fazer. Se mexer. Vontade que você
estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas,
e sem nenhuma importância, algumas. Eu me perguntava até que ponto você
era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em
você. Um café e um amor. Quentes, por favor. Coragem, às vezes, é
desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. É
aceitar doer inteiro até florir de novo. Não era possível evitar por
mais tempo uma onda que crescia, barrando todos os outros gestos e todos
os outros pensamentos.A verdade é que ainda hesito em dar um nome
àquilo que ficou, depois de tudo. Porque alguma coisa ficou. Então, que
seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar
entrar o sol. Sinto uma falta absurda de você. Ficou um vazio que
ninguém preenche. E penso e repenso e trepenso em você aí. Tá tudo bem
assim. (Caio Fernando Abreu)

Você
sabe como é ter o coração partido? É sentir que nada mais em você faz
sentido. É olhar pra dentro de si e ver um espaço vazio. Ultimamente eu
não tenho conseguido fechar os olhos sem que essa tristeza transpassasse
em minha mente. A realidade é diferente do que a gente deseja que seja.
Quando percebemos que as coisas não são como a gente esperava o mundo
cai aos nossos pés. Eu sempre preferi fugir de coisas que me faziam
perder o controle. Por mais sedutora que seja a noite, todo mundo
precisa de um lugar pra onde voltar. Não consigo dormir direito e não
quero acordar e perceber que tudo mudou. Eu não quero acordar.
Como é que tu pretendes lidar com isso? Conheço mil formas de se
proceder; mais da metade delas parecem mais sensatas, ao meu ver. Nessa
constante mudança de mares, tenho fugido para cada vez mais longe da
fumaça dessas explosões. Hoje, distante a ponto de te ver como um
minúsculo ponto próximo à curva do horizonte, encontro-me às portas de
uma nova vida, aquela vida que eu sempre procurei: viver procurando. A
memória recente de uma longilínea silhueta ornada pelos iluminados
prédios da metrópole, mesmo sendo fruto de um mero retrato imaginário e
possivelmente efêmero, tem me guiado para longe da tua guerra. E para
cada vez mais longe da terra firme. Aqui a água é fria, e a hipotermia
me força a dar braçadas cada vez mais convictas, em sentido oposto ao
dos teus passos.
Passei a me questionar. Não se trata
de sorte quando você encontra no seu caminho alguém que realmente se
importa com você. E realmente não é. Hoje eu só queria fechar os olhos
com a certeza de que ao abri-los nada estaria diferente, que os
sentimentos continuariam no mesmo lugar. Não consigo mais acreditar na
idéia de que tudo vai ser perfeito sempre. Foi o que eu aprendi. Às
vezes eu me perco no meio de tanto sentimento. Tem me faltado espaço pra
sentir outras coisas. Não consigo viver de incertezas, elas já não me
satisfazem mais. É estranho sentir que nada mais faz sentido. É que e as
vezes eu sou tomada por uma incerteza, que eu não sei explicar. Isso
não me faz bem. Na verdade eu não sei mais o que pensar. Definitivamente
não sei.

Eu
nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de
onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua
banalidade, nunca entendi como pude ser tão escrava de uma vida que não
me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me
planejava, não me findava. Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem
solução, sem motivo. Não sinto saudades do seu amor, ele nunca existiu,
nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. Não existiu
morte para o que nunca nasceu. Sinto falta da perdição involuntária que
era congelar na sua presença tão insignificante. Era a vida se
mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado.
Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas
crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não
queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas
vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha
causa. E isso era lindo. Você era lindo. Simplesmente isso. Você, a
pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora,
responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem
aconchego, tardes sem beleza. Sinto falta de quando a imensa distância
ainda me deixava te ver do outro lado da rua, passando apressado com
seus ombros perfeitos. Sinto falta de lembrar que você me via tanto,
que preferia fazer que não via nada. Sinta falta da sua tristeza,
disfarçada em arrogância, em não dar conta, em não ter nem amor, nem
vida, nem saco, nem músculos, nem medo, nem alma suficientes para me
reter. Prometi não tentar entender e apenas sentir, sentir mais uma vez,
sentir apenas a falta de lamber suas coxas, a pele lisa, o joelho, a
nuca, o umbigo, a virilha, as sujeiras. Sinto falta do mistério que era
amar a última pessoa do mundo que eu amaria. (Tati Bernardi)

Todos
os nossos pensamentos e atitudes são como uma encomenda anônima que a
gente faz pro destino. Inconscientemente, queremos que nossas ações
desencadeiem uma série de acontecimentos cujo roteiro já foi definido
na nossa cabeça. Antes dos 10 anos a gente aprende: não é assim.
A
gente costuma achar que o mundo inteiro pensa da mesma forma que a
gente. A gente costuma achar que somos amados pelos mesmos motivos pelos
quais amamos. Mas se as rosas que eu jogo ao vento te ferem como
flechas, de quem é a culpa? Minha que não é.
Por
essas e outras é que as pessoas vivem doentes, na incessante busca
pelos 100% de satisfação. A gente apelida essa utopia de ‘amor
perfeito’, de ‘amor de verdade’ e de inúmeras coisas, como se o amor –
puro e simples – não fosse o bastante. E o amor – simples, sem adereços –
já é tão complexo, tão raro, que muitos que conheço já se aproximam
dos 30 sem saber o que é.
A
gente ama e, inconscientemente, encomenda um amor igual. O que nos
bate a porta não é menor, não é pior, é diferente. É o amor que um outro
alguém construiu, esperando receber em troca um espelho do que sentia.
Estranho é ser tomado por tanto sentimento, sabendo que é algo que não
se pode impedir. Tem dias que a gente acorda diferente, esperando das
pessoas mais do que elas podem nos oferecer. Tem dias que acordamos
fechando os olhos pra tudo à nossa volta. O que a gente não sabe é que o
dia pode ser mais feliz do que a gente esperava. E na maioria das vezes
é. Foi vasculhando antigos sentimentos que encontrei dentro de mim
memórias as quais eu julgava perdidas. Às vezes tudo que a gente tem que
fazer é esquecer antigas mágoas e seguir em frente. Por mais difícil
que seja perdoar. Preenchi meu coração de esperança. E não há ninguém
que possa tirar isso de mim. Preciso começar a pensar menos e viver
mais.

Existem
coisas que a gente não precisa ouvir, mas por mais que a gente tente
elas não passam por desercebidas. Tenho muitas coisas incompreendidas
dentro de mim, as quais nem sei porque ainda existem. Não, eu não
consigo esquecer. Simplesmente não consigo fechar os olhos sem pensar no
quanto a realidade é diferente. É tão mais seguro fechar-se contra tudo
e todos, aparentemente. No entanto sempre acabamos nos deixando levar
pelo sentimento. Cegamente. E sempre querendo ir mais além, sem pensar
no que possa acontecer. E é no final do dia, colocando a cabeça no
travesseiro que percebemos o quanto valeu a pena. E sempre vale.

E
lá vem você me olhar apaixonado e, no segundo seguinte, frio. E me
falar para eu não sofrer e para eu ir embora e para eu não esperar nada e
para eu não desistir de você. E eu me digo que não é você. Porque, se
fosse, meu sono seria paz e não vontade de morrer. Me despeço, já sem
aquela dor aterrorizante, das partes de você que mais amo. Ainda que eu
nem te ame mesmo. E me despeço das partes da sua casa que eu mais amo.
Ainda que nada disso seja amor. E entro no carro já sem chorar. Os
últimos três anos chorando por você serviram ao menos para me secar por
dentro. Preciso me aliviar. Mas dou até risada porque acabaram os
caminhos. O mundo não suporta mais esse meu não amor por você. Meus
amigos espalmam a mão na minha cara e já vão logo adiantando que se eu
pronunciar seu nome, eles vão embora sem nem olhar para trás. Remédios
só me deixam com um bocejo químico e a boca do estômago triste, mas não
tiram você do meu coração. (Tati Bernardi)

Mas
então o que é a verdade, se não tudo aquilo em que acreditamos com
todas as nossas forças, até o fatídico momento em que não cremos mais?
As verdades mudam, e as tuas o fazem numa velocidade que acredito que
ninguém seja capaz de acompanhar. Justamente, por medo disso, tratei de
despir meus sentimentos de poesia. No entanto, as nossas situações,
mesmo nuas de significado, mesmo ceticamente analisadas com a frieza de
um cirurgião, teimavam em rabiscar sorrisos na minha cara. Sorrisos que
não saíam em água corrente. Mesmo assim, tenho vivido ao pé da letra o
‘dia-após-o-outro’, jamais adornando os dias com os meus costumeiros
exageros que conheço bem. É difícil manter os pés no chão enquanto a
mente voa.

Sou
pessoa de dentro pra fora. Minha beleza está na minha essência e no
meu caráter. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho
alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em
frente. Sou isso hoje. Amanhã, já me reinventei. Reinvento-me sempre que
a vida pede um pouco mais de mim. Sou complexa, sou mistura, sou mulher
com cara de menina e vice-versa. Me perco, me procuro e me acho. E
quando necessário, enlouqueço e deixo rolar. Não me dôo pela metade,
não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não
suporto meio termos. Sou boba, mas não sou burra. Ingênua, mas não
santa. Sou pessoa de riso fácil, e choro também. (Tati Bernardi)

Às
vezes o amor não é suficiente. Você sabe como é ter o coração partido?
Sentir que nada do que você faça pode impedir o pior? Eu já vivi tanta
coisa que não me surpreenderia com mais nada. Tem coisas que não
dependem de nós pra acontecerem. Não gosto de inconstância. Não dá pra
suportar. Tenho medo disso. Eu preciso acordar sabendo o que vai
acontecer. Nunca gostei de surpresas. Não consigo sequer comer ou dormir
quando algo me deixa angustiada. Por que as coisas têm sempre que
mudar? Cansei de velhas expectativas. Às vezes só o amor não é o
bastante.

Ainda
posso sentir. Eu esperava o que não poderia ter e ninguém seria capaz
de me impedir. É meio que inconsciente a forma como acabamos desejando
as coisas. Tudo acaba parecendo tão real que a própria realidade deixa
de existir. Não sabemos o que nos faz pensar que tudo pode ser verdade.
Fazemos de tudo pra esquecer. Sempre existem coisas novas pra sentir
quando a gente se permite isso. E não desistimos, nunca.

Você
tenta fugir, mas não consegue. Tudo o que mais deseja é se sentir livre
outra vez. E começa a pensar que é só mais um dia, isso vai passar, é
só mais um dia ruim. Mas não passa nunca. É difícil aceitar o rumo que
as coisas tomam, mas com o passar do tempo a gente percebe que tudo era
nuito simples, nós é que acabamos complicando as coisas tentando ser que
não somos realmente. E continuamos tentando, por muito tempo.
Continuamos tentando, sem perceber. A gente nunca espera sofrer. A
última coisa que esperamos é ver a pessoa que amamos nos magoar. Existem
pessoas que não percebem o quanto são importantes.

Mas chega de velhos sentimentos. Chega de incertezas, porque tudo que é
incerto traz inconstância. Não dá pra olhar pra trás sem sentir que uma
parte de nós não existe mais. Se perdeu no meio de coisas
insignificantes. Coisas que já não valem a pena. Essa dor, ela não vai
te deixar tão cedo. Então aprenda a conviver com isso. Você vai acordar,
dormir e perceber que ela não se foi. Existe algo de muito errado
acontecendo. A gente nunca imagina que aquele primeiro abraço vai nos
levar a um caminho sem volta. Nem sempre a imagem que vemos no espelho é
real. Somente quem sente pode saber. Cheguei no meu limite. Me diz como
posso esquecer, porque eu não sei.

Não sei lidar com isso. Nunca fui boa em ser insensível, embora eu tenha
tentado inúmeras vezes. Tenho andado confusa nos ultimos dias. Tenho
esperado por mudanças que nunca vão acontecer. Eu não me canso de
esperar. E mesmo enchendo meu coração de culpa não consigo deixar de te
amar, nem por um segundo. Às vezes me pego esperando pelo que não vai
chegar, inconscientemente. Esse sentimento não vai me deixar em paz, eu
sei. Espero o momento certo para dar o primeiro passo e não sei o quanto
isso pode demorar, embora isso não importe mais. Basta olhar em meus
olhos pra perceber o quanto eu mudei. Às vezes não se trata apenas de
saudade, pode ser algo mais.
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